INFORMATIVO
PROCESSO PRODUTIVO DA GEOMEMBRANA
- Artigo publicado na Revista Engenharia em OUT/2005
Breve
histório
A
geomembrana de polietileno de alta densidade, de forma distinta
a de outros artigos extrudados, é um produto de conceito e aplicações
exclusivamente técnicas, nas áreas de impermeabilização, proteção
ambiental, saneamento, irrigação e outras onde haja a necessidade
de conter algum líquido precioso; ou seja, deve ser encarado como
um manufaturado de aplicação de engenharia que tem de evidenciar
padrões especificados em normas internacionais como ASTM, DIN,
ISO e outras.
A
técnica de obtenção e transformação dos plásticos é recente. A
geomembrana de PEAD começou a ser produzida no Brasil em 1993,
porém com evolução cada vez mais acentuada pelo desenvolvimento
de resinas com características de resistência físico-químicas,
e máquinas transformadoras que cada vez mais incorporam automação,
alto desempenho produtivo e constância operacional.
A
qualidade assegurada da aplicação de geomembranas em obras depende
de um planejamento que incorpore:
•
A escolha de manuais, normas e padrões que deverão ser evidenciados
e certificados;
• O projeto, que define o tipo e espessura da geomembrana de PEAD
e os acessórios da instalação;
• A seleção das matérias primas plásticas que comporão a geomembrana
de PEAD;
• O tipo de equipamento de extrusão que confeccionará a geomembrana
de PEAD;
• A existência de um Sistema de Gestão da Qualidade do fabricante
que normalize a produção e garanta a rastreabilidade dos manufaturados;
• O manuseio, transporte e estocagem adequados das geomembranas
de PEAD, evitando causar danos ao produto;
• A preparação do terreno e acessórios onde será instalada a geomembrana
de PEAD;
• A instalação da geomembrana de PEAD com todos os controles de
qualidade necessários a garantir sua correta aplicação.
Exigências e Necessidades da Instalação:
De
todos os passos aquele que demonstra ser o crucial é o de instalação
da geomembrana de PEAD. Por este motivo é importante que as exigências
e necessidades da instalação sejam eleitas como definidoras das
etapas anteriores, sempre a luz de manuais, normas e padrões de
aceitação Vejamos as exigências e necessidades da instalação do
ponto de vista da fabricação da geomembrana de PEAD:
•
Acessórios e interferências de obra projetada em PEAD que permitam
soldabilidade com a geomembrana de PEAD e garantam a estanqueidade
da obra;
• Bobinas de geomembrana de PEAD na geometria mais adequada ao
tipo de obra, ou seja, dimensionais atrelados a obra e não pré-estabelecidos,
que facilitem o manuseio de acordo com a infra-estrutura prevista
para a obra e diminuam ao máximo as junçes de solda necessárias;
• Geomembranas de PEAD com a densidade mais adequada possível
para facilitar sua soldabilidade e o seu manuseio, flexibilidade,
sempre respeitando-se valores mínimos previstos em norma e que
não afetem as propriedades físicas mínimas também requeridas ao
produto. A maior flexibilidade de uma geomembrana de PEAD também
é fator que facilita a sua melhor adequação ao traçado e geometria
da obra, com suas interferências;
• A maior homogeneidade possível da distribuição molecular nos
sentidos de máquina e transversal, para que os efeitos de contração
e dilatação da geomembrana de PEAD instalada sejam uniformes em
todas as direções, sem pontos de tensão específicos;
• A garantia de que a geomembrana de PEAD possua a espessura média
exigida na norma, para que não perca propriedades físicas requeridas,
e que o seu perfil de distribuição em toda a largura do produto
seja o mais homogêneo possível, evitando haver pontos de tensões
diferenciadas;
• A utilização de resinas plásticas e aditivos com negro de fumo
e antioxidantes de qualidade assegurada de modo a garantir a durabilidade
exigida para a obra.
No
Brasil devido a fatores amplamente conhecidos, de alta carga de
impostos incidindo sobre o setor produtivo, da falta de consciência
dos direitos do consumidor e da inexistência de fiscalização rigorosa;
é vital a preocupação em auditar a compra de produtos de aplicação
técnica para que não se torne vulgar, como já ocorreu com tantos
outros artigos do setor do plástico.
A
Universidade de Drexssel, nos E.U.A., criou o Instituto de Pesquisa
de Geosintéticos - G.R.I. (Geosyntetics Researche Institute) que
define manuais e padrões para toda a área de geotecnia, desde
o projeto, passando pela produção até a instalação, baseados nas
normas da ASTM, que se tornaram o padrão de controle mais difundido
e utilizado em todo mundo, sendo, portanto uma ótima ferramenta
para todos que necessitam projetar, produzir, instalar e utilizar
as geomembranas.
Fabricação
adequada as necessidades de Instalação
Além
das necessidades de instalação, requisitos do Cliente, o fabricante
deve estar habilitado a atender as propriedades estipuladas em
normas, que estão relacionadas diretamente a qualidade das resinas
termoplásticas utilizadas e a correta seleção dos equipamentos
de transformação.
Análise
dos equipamentos
Existem
dois tipos de processo de transformação por extrusão que podem
ser usados na confecção de uma geomembrana de PEAD. São eles:
o de filme soprado (blow-film) e o de extrusão em matriz plana
(flat-die) com laminação (calandragem).
Vejamos
suas principais características e alguns dados:
•
92% das geomembranas de PEAD no mundo são obtidas pelo processo
de filme soprado.
•
A extrusão de resinas plásticas com densidades muito elevadas
e índices de fluidez muito baixos requer o uso da extrusão plana
visto que no equipamento de filme soprado ocorre a instabilidade
do balão. Em contra partida quando se faz necessário utilizar
resinas de média densidade e maiores índices de fluidez, que facilitam
sobre maneira a instalação como já vimos anteriormente, a extrusão
de filme soprado é de muito melhor condição, senão a única, já
que resinas com esta característica causam muita instabilidade
no ajuste da matriz plana e também no equipamento de laminação
(calandra) tornando quase impossível o controle da distribuição
de espessura do material.
•
O ajuste de distribuição de espessura em uma matriz plana em relação
ao de uma matriz circular é bem mais difícil visto que o fluxo
do material fundido chega pelo centro da matriz devendo alcançar
as extremidades enquanto na circular o fluxo distribui-se uniforme
e naturalmente para a periferia. Esta não é no entanto a principal
causa da distribuição de espessura ser melhor em uma linha de
extrusão de sopro, e sim a influência do sistema de laminação
já que o material fundido entre os cilindros da calandra exerce
esforços elevados causando a flexão dos mesmos e induzindo a que
ajustes diferenciados devam ser efetuados na matriz para preencher
o espaço de calandragem. Ocorrem então os perfis de distribuição
de espessura conhecidos como “corcova de dromedário" e “corcova
de camelo", enquanto na extrusão por sopro o perfil permanece
linear. Isto, no entanto, não é condição de reprovação de uma
geomembrana, desde que mesmo com as “corcovas" as propriedades
de distribuição de espessura previstas na norma sejam alcançadas;
contudo este perfil irá conferir pontos com tensões diferenciadas
que devem ser evitados. Existem cilindros de calandragem de construção
especial em parede dupla que possuem equipamento agregado hidráulico
e automação para compensar as flexões e eliminar as “corcovas",
só que o seu custo inviabiliza normalmente o uso.
•
Os equipamentos de extrusão de filme soprado, com abertura de
lábio e diâmetro de matriz projetados adequadamente à largura
que se pretende da geomembrana, proporcionam uma razão de sopro
otimizada que confere a perfeita distribuição molecular do plástico
nos sentidos de máquina e transversal, o que resultará em instalações
melhores pela contração e dilatação uniforme em todos os sentidos.
Já na extrusão plana, embora sejam respeitados os ajustes adequados
de abertura de lábio da matriz e de folga de laminação, a distribuição
molecular sempre terá orientação principal no sentido da máquina
O equipamento de extrusão de matriz plana é muito específico e
não permite a mesma versatilidade que o de filme soprado, que
pode também produzir filmes com pequenos ajustes e modificações
da matriz.
Análise
das resinas
Devido
ao pouco tempo de utilização e a pequena demanda, se analisado
o consumo potencial adormecido das geomembranas de PEAD nos mercados
brasileiro e latino-americano, há oferta de poucas resinas termoplásticas
e de aditivos com negro de fumo no mercado brasileiro que se propõe
ser de uso específico para geomembranas de PEAD. Tais resinas
e aditivos possuem excelentes propriedades para garantir os padrões
exigidos nos testes físicos e químicos, no entanto possuem um
custo elevado pela tecnologia envolvida e baixa demanda de consumo.
A alternativa é de realizarem-se blendas com resinas lineares,
de alta densidade e de baixa densidade, de uso convencional, que
possuem menor custo, para atingirem-se os objetivos e propriedades
exigidos a uma geomembrana de PEAD.
Conclusões
e Principais Vantagens
•
Utilizar manuais de certificação do produto de acordo com o GRI.
• Sempre que possível utilizar resina de média densidade específica
para a produção de geomembrana de PEAD; quando não for possível,
desenvolver uma blenda que aproxime-se o mais possível desta.
• Usar aditivos de negro de fumo de qualidade reconhecida com
boa granulometria e dispersão.
• Selecionar geomembranas de PEAD produzidas em equipamento de
extrusão de filme soprado.
• Escolher o fabricante pela sua idoneidade, capacidade em cumprir
compromissos e que possua sistema de gestão da qualidade certificado.
• Auditar sempre a geomembrana de PEAD adquirida, se possível
utilizando-se de auditoria de terceiros.
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